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domingo, 15 de agosto de 2010

Tempo

“A coleta atenta da história médica faz mais do que acrescentar detalhes. É o aspecto mais importante da profissão médica. Conquanto a obtenção dos dados demande tempo, não há tempo que possa ser usado mais proveitosamente. Em última análise, nela reside o alicerce do relacionamento humano entre paciente e médico, baseado no respeito mútuo. O tempo que nela se emprega é um pequeno sacrifício na via do tratamento e da cura” (LOWN, B. A arte perdida de curar. p. 40).

Atenção

“Focalizo mais minha atenção nos interstícios entre as palavras, nos significados embutidos nas pausas, nas inflexões, nos termos vacilantes. Comumente, o silêncio comunica essência. A gente aprende a decifrar um assunto de que não se falou. A intuição se aguça, permitindo-nos captar uma nova ordem de complexidade, absorver o subliminal e integrá-lo quase instantaneamente num conjunto [...]. Pena que se leva uma vida toda para se adquirir a sabedoria clínica que possibilita captar o essencial com grande economia de palavras ” (LOWN, B. A arte perdida de curar. p. 38).

Queixa principal

“Ouvir não é um ato passivo [...] a queixa principal pode não ser o que mais afeta o paciente e até ter uma relação distante com algum problema subjacente [...] É o que acontece com a queixa principal. Ela conta que alguma coisa esta amargurando o paciente e o leva a procurar ajuda. Mas é só. A queixa principal com freqüência nem se identifica com o órgão certo [...] Uma vez identificado o problema, é comum que o medicamento eficaz conste de palavras, em vez de drogas. [...] o indivíduo com problema não resolvido continua buscando a solução e sai à cata de formulações. Além disso, muitos remédios prescritos para queixas principais podem causar efeitos colaterais nocivos. Despreparados, os pacientes acedem em submeter-se a procedimentos invasivos. [...] em geral os médicos se concentram na queixa principal porque as escolas de medicina não lhes ensinam a arte de ouvir” (LOWN, B. A arte perdida de curar. p. 30-32).

Ouvir

“Para ter êxito no curar, o médico precisa ser treinado acima de tudo o mais a ouvir. Apenas ouvir atentamente já produz efeito terapêutico, pois proporciona o conhecimento de histórias interessantes. São poucos os livrros que expõem a condição humana com mais clareza do que o paciente, que nos permite olhar profundamente dentro de seus olhos ” (LOWN, B. A arte perdida de curar. p.27).